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“O Caminho” nº 11

Antes de partir deste mundo, o Senhor Jesus Cristo deixou uma ordem muito clara aos Seus discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mar. 16:15; veja também Mat. 28:19 e Luc. 24:47). Este é o desejo do nosso amado Salvador: que toda criatura, independentemente de posição social, idade, cor, nacionalidade, convicções políticas ou religiosas, etc, possa ouvir o evangelho e saber do amor de Deus e da necessidade de salvação. Três vezes a Bíblia nos diz que “para com Deus não há acepção de pessoas” (Atos 10:34; Rom. 2:11; Efe. 6:9). Deus “deseja que todos os homens sejam salvos” (I Tim. 2:4), que “todos cheguem ao arrependimento” (II Ped. 3:9). Deus não faz acepção de pessoas, e Ele não quer que nós o façamos.

O Exemplo Perfeito

O Senhor Jesus Cristo demonstrou, na prática, aquilo que Ele desejava ver em Seus discípulos.

Ele não teve preconceito quanto à posição social. Nos Evangelhos, vemos como Ele pregou a pessoas ricas (Luc. 19:2,5) e mendigos (Luc. 18:35–43), a pessoas de posição (Luc. 18:18–23) e aos desprezados publicanos e pecadores (Mat. 9:10). Ele ajudava os ilustres chefes de sinagoga (Luc. 8:41–42) e humildes pescadores (Luc. 5:1–7), os centuriões romanos (Mat. 8:5–7) e malfeitores (Luc. 23:39–43).

O Senhor também não teve preconceitos quanto à condição física de uma pessoa. Em João cap. 5, vemos como Ele se dirigiu ao tanque de Betesda,, onde “jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos” (v. 3). Ele não teve vergonha de ajudar este tipo de pessoa. No caso do leproso, narrado em Mat. 8, Mar. 1 e Luc. 5, lemos, nas três narrativas, que o Senhor, “estendendo a mão, tocou–lhe”! Quanto amor e compaixão! Teria sido tão fácil curar aquele leproso só com uma palavra, sem precisar se aproximar daquele homem, como Ele fez em tantos outros casos. A sociedade tinha vergonha, nojo e medo do leproso; Cristo tocou–lhe!

A Exortação Prática

Deus declara que “não há diferença, porque todos pecaram” (Rom. 3:23). Todos precisam ser salvos; mas, “como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rom. 10:14). Por isso o Senhor nos manda pregar a toda criatura, porque Ele “deseja que todos os homens sejam salvos” (I Tim. 2:4). Todos os homens; e isto inclui aquele bêbado jogado na sarjeta, o assassino na cadeia, o viciado sendo dominado pelas drogas, e até aqueles pecadores que “mudaram o modo natural … por outro contrário à natureza … cometendo torpeza” (Rom. 1:26–27). Todos estes precisam ouvir o evangelho; mas, irmãos, como poderão ouvir, se nós temos vergonha de lhes anunciar as boas novas de salvação? É nossa responsabilidade mostrar–lhes que Deus deseja que eles sejam salvos.

“Todos” também não permite distinção de cor, posição social, religião, ou qualquer outra coisa. Se Deus deseja que todos sejam salvos, como poderemos deixar de pregar à alguém só porque ele “cheira mal”, ou não tem “a nossa classe”? Se Cristo morreu pelos pecados do mundo inteiro (I João 2:2), como poderemos deixar alguém ir para o inferno, sem lhe avisar da condenação eterna e do amor de Deus, só porque a conduta daquela pessoa nos envergonha?

É claro que isto não quer dizer que devemos ter comunhão com os pecadores em seu pecado. O cristão tem que viver separado do pecado, e nunca deverá desejar ter comunhão com os pecadores. Mas comunhão é uma coisa — testemunho é outra. Não podemos nos associar com os pecadores em seu pecado, mas podemos, e devemos, pregar–lhes fielmente a mensagem do evangelho.

Que o Senhor nos ajude a ter mais compaixão pelos pecadores, vendo que a seara é grande e os trabalhadores realmente poucos. Que o amor de Cristo possa nos constranger, reconhecendo que somos devedores a todos os homens. Se pudermos sentir a necessidade de pregar o evangelho, e entender que esta responsabilidade é nossa, sem dúvida iremos deixar de lado qual-quer preconceito tolo e carnal, e poderemos repetir as palavras do apóstolo Paulo, inspiradas por Deus: “Fiz–me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível” (I Cor. 9:19; veja também vs. 16–23).

Se houver algum coração tão endurecido que reluta em seguir este mandamento por amor, é importante lembrar do aviso solene da palavra de Deus aos seus servos: “Quando eu disser ao perverso: ‘Certamente morrerás’, e tu não o avisares, … o seu sangue da tua mão o requererei” (Eze. 3:18).

“Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, a glória, em acepção de pessoas”    (Tiago 2:1).

W. J. Watterson