Início O Caminho Lições práticas do Cântico dos Cânticos (II)
Lições práticas do Cântico dos Cânticos (II) Imprimir E-mail

"O Caminho" nº12

A esposa continua sua busca sozinha. Estava disposta a buscar o Amado na companhia das virgens (1:3) e dos retos (1:4), mas agora está sozinha. Ela apreciava a companhia daqueles que também amavam seu Amado, mas estes não poderiam satisfazer plenamente seu coração. Ela quer o Amado.

A comunhão com outros que amam e buscam ao Senhor é boa e necessária na vida de cada cristão, mas nada pode substituir a comunhão individual com Ele. Precisamos da intimidade de tempos a sós com Cristo.

A esposa sabe que Ele apascenta Seu rebanho, e o recolhe pelo meio-dia (1:7), mas não sabe onde encontrá-Lo. Sabe o que Ele faz, mas não sabe onde está.

Estas figuras falam, ao coração de cada cristão, do sustento e descanso que o Bom Pastor dá às Suas ovelhas. “Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas” (Sal. 23:2). Ele nos sustenta nos pastos verdejantes da Sua Palavra, e refrigera-nos a alma pelas águas tranqüilas da comunhão.

Os Motivos

Há dois motivos que levam a esposa a buscar seu Amado:

a. Amor. “Dize-me, ó Tu, a Quem ama minha alma…” (1:7). Embora o cristão possa perder a comunhão com seu Amado, ele nunca deixará de amá-Lo.

b. Necessidade. “…onde apascentas o Teu rebanho, onde o recolhes ao meio-dia” (1:7). O cristão nunca achará satisfação no mundo, e quando lembrar dos cuidados ternos do Bom Pastor sentirá o desejo de buscá-Lo novamente. Não sentirá saudades apenas; sentirá a necessidade de buscar a presença do Senhor.

A Resposta

A resposta imediata do Amado revela o desejo do Seu coração. Ela se afastou dele; os sentimentos dela se esfriaram; mas o amor dEle não mudou. Se ela agora busca a presença dEle, Ele sempre quis a presença dela, e oferece instruções claras.

Estas instruções, porém, começam com uma leve repreensão. “Se tu não o sabes…” (v. 8). Ela deveria saber. A culpa do afastamento foi unicamente dela.

Mas Ele se apressa em assegurar-lhe do Seu amor. Ele aprecia a presença dela, e a cha-ma de “mais formosa entre as mulheres” (v. 8).

Como isto conforta os nossos corações. As vezes nosso amor esfria, e nossos pés se afastam da Sua presença, mas Ele é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente (Heb. 13:8). Se O buscarmos, iremos encontrá-Lo (Mat. 7:7). Ele aprecia a nossa comunhão.

Mas os laços da comunhão são tão frágeis. O pecado os quebra, afastando-nos dAquele que amamos. A negligência, ou até mesmo a ocupação demasiada com coisas legítimas, os quebra, tirando o prazer que sentimos na Sua presença. Podemos ler a Palavra, mas não en-contramos aquele alimento fortalecedor; podemos orar, mas não sentimos a Sua presença.

As Instruções

a. “Sai-te pelas pisadas das ovelhas” (v. 8). Se ela realmente quer encontrá-Lo, terá que sair de onde está. Ele não virá a ela; ela tem que sair. O cristão que procura novamente a comunhão perdida, também terá de sair. Ele permitiu algo na sua vida que tomou o lugar do Senhor. Talvez foi algum pecado; talvez algo legítimo que o ocupou de tal forma que não havia tempo para estar a sós na presença do Senhor. Para renovar a comunhão, ele terá de sair daquela situação. Restauração requer uma renúncia. Compare, neste contexto, João 9:34, 35 e 10:4.

O cristão que quer conhecer outra vez as alegrias da comunhão com Cristo terá de seguir “as pisadas das ovelhas”. O caminho da restauração é um só, e todo cristão que desviou volta por ele.

b. “apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores”. Ela procura comunhão; terá serviço também. Talvez o serviço foi a causa do seu afastamento (vs. 5, 6), mas agora terá serviço na presença dEle. E será serviço junto às moradas dos pastores. Estará servindo junto àqueles que também servem ao Amado.Comunhão com o Senhor sempre leva a serviço com o Senhor, e promove comunhão entre os Seus servos.

Comunhão Restaurada (1:9-2:7)

Antes de ouvir de qualquer benefício ou alegria que ela recebe, ouvimos o Amado expressar a sua satisfação (v.9-11). Ele aprecia a esposa, e acha prazer na sua presença.

Sem dúvida, o aspecto mais maravilhoso da nossa comunhão com o Senhor é o prazer que Ele recebe nisto. É maravilhoso pensar que podemos alegrar Seu coração. Irmãos, a melhor oferta que podemos lhe ofertar é a nossa comunhão constante. Ele deseja que os seus estejam eternamente na Sua presença (João 17:24), e virá buscá-los para que onde Ele estiver, estejam eles também (João 14:3). Mesmo hoje, Ele anela esta comunhão (Apoc. 3:20).

À Sua Mesa

Em seguida, vemos a esposa à mesa do Amado, consciente do prazer que a sua presença Lhe dá. Ela alegra-se nisto. Tendo saído da cidade (associações com o mundo), ela serviu junto às moradas dos pastores (v. 8), e agora desfruta das delícias da mesa do Rei.

Não confunda esta mesa com a Ceia do Senhor. Esta representa aquela farta provisão que o Bom Pastor dá constantemente aos Seus. “Ele prepara uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos” (Sal. 23:5); a comunhão com Ele fornece alimento espiritual que fortalece e sustêm.

A partir do versículo 13, até 2:6, vemos, em linguagem parabólica, as alegrias espirituais da comunhão. Tanto a esposa, quanto o Amado, se regozijam, e alternadamente expressam um prazer sempre crescente. É apenas uma figura, mas apresenta de forma tão bela o verdadeiro prazer de comunhão ininterrupta com o Amado. Quão poucos conhecem este prazer; quão poucos dão este prazer ao Amado; contudo esta deve ser a vida cristã normal.

O resultado desta comunhão é descanso (“desejo muito a Sua sombra; debaixo dela me assento”, v. 3) e alimentação (“o seu fruto é doce ao meu paladar” (v. 3).

A Sala do Banquete

As alegrias aumentam. Das moradas dos pastores (1:8), e da mesa do Rei (1:12), ela O acompanha à sala do banquete (2:4), onde tudo fala do Seu amor. Seu coração desfalece, contemplando tamanho amor (2:5), e expressa, em linguagem figurada, sua apreciação e gratidão.

Não Acordeis!

Esta primeira parte do livro termina apresentando uma ordem solene do Rei: “não acor-deis, nem desperteis o meu amor, até que este o queira” (2:7). É importante notar que a palavra traduzida “amor” neste versículo é uma palavra feminina no original. O Rei está ordenando que ninguém acorde a esposa, até que ela queira.

A lição aqui é preciosa. Enquanto a esposa descansa, despreocupada e feliz na presença do Amado, Ele fala às filhas de Jerusalém que ninguém acorde a esposa. O Senhor nunca vai interromper a comunhão com Ele, e não vai permitir que outros a interrompam. Esta comunhão é tão preciosa ao Senhor que Ele não permitirá que seja interrompida, a não ser pela nossa própria vontade. Irmãos, se um dia perdemos a comunhão com o Senhor, a culpa é unicamente nossa.

R. E. Watterson