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Oração no livro de Gênesis (V) Imprimir E-mail

"O Caminho" nº13

Agar — a Onisciência de Deus

Gênesis capítulo 16 relata como Abrão e Sarai tentaram cumprir a promessa de Deus por meios carnais. Este é um erro que nós também cometemos muitos vezes e de muitas maneiras. As consequências são sempre as mesmas: conflito, divisão e tristeza. No caso de Abrão e Sarai, em vez de cumprir a promessa divina, surgiram dificuldades que antes não existiam, e, com o nascimento de Ismael, veio a existir um povo que até hoje vive em conflito com os descendentes de Isaque.

Sendo oprimida por Sarai, Agar, sua serva, fugiu. Mas agora veremos como Deus, na Sua graça, lhe apareceu em forma angélica, e como Agar e o resto da família de peregrinos aprenderam uma lição importantíssima, a saber, a realidade da onisciência de Deus. Ele não é somente Todo-poderoso mas também vê tudo, e nos vê mesmo quando deixamos de olhar para Ele.

Em primeiro lugar, o Senhor deixou claro que Ele estava percebendo a rebelião e altivez no coração dela, pois disse-lhe: “Torna-te para tua senhora, e humilha-te debaixo de suas mãos” (v. 9). Então Ele lhe prometeu uma descendência inumerável através do filho que havia de nascer e, em seguida, anunciou seu nome: “chamarás o seu nome Ismael (que significa “Deus está ouvindo”); porquanto o Senhor ouviu a tua aflição” (v. 11).

Agar ficou tão impressionada com esta experiência que ela também deu a Deus um nome: “Tu és o Deus que me vê”, o qual passou a ser o nome do lugar onde o anjo lhe aparecera: Beer-Laai-Rói — “o poço dAquele que me vê”.

Realmente foi este fato da onisciência de Deus que Abrão e Sarai estavam ignorando quando “deram um jeito” para resolver o problema da esterilidade de Sarai. Agiram como se Deus tivesse apenas anunciado a promessa e ido embora sem resolver as dificuldades. Mas Deus estava presente e totalmente ciente da situação. Ele é o Deus que vê. Treze anos depois, chegando o tempo de cumprir a promessa pelo nascimento milagroso de Isaque, o Senhor apareceu a Abrão e disse: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito” (17:1).

A onisciência de Deus é muita destacada também na vida de Davi. Em I Sam. 16 lemos como Samuel foi enviado para ungir um dos filhos de Jessé como rei de Israel. Jessé fez seus filhos passar diante dele, e vendo Eliabe, Samuel disse: “certamente está perante o Senhor o Seu ungido”. Porém o Senhor disse a Samuel: “Não atentes para sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (v. 6-7). Finalmente Davi foi ungido rei, e nele Deus havia achado um homem conforme o Seu coração (Atos 13:22).

Davi mostra sua apreciação desta verdade no Salmo 139. Nos primeiros versículos ele afirma a doutrina: “Senhor, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento…”. Mas nos últimos versículos do salmo, ele até convida Deus a fazer isso: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (v. 23-24).

Agora não era uma mera teoria — uma doutrina que tinha na mente com respeito à pessoa de Deus. Agora Davi reconheceu que Deus conhece nossos corações melhor do que nós, e quis ser totalmente honesto e transparente diante dEle.

Esta é a base essencial da oração sincera — reconhecer que “todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos dAquele com quem temos que tratar” (Heb. 4:13); “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os Seus ouvidos atentos às suas orações; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem males” (I Ped. 3:12). Assim também, no “Sermão da montanha”, o Senhor Jesus mostra qual é a oração sem hipocrisia: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará” (Mat. 6:6). “Tu és o Deus que me vê”.

T. J. Blackman