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"O Caminho" nº14

“Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. E assim, quando está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho...” (Rom. 1:14-15).

Lendo estes dois versículos, podemos dizer, com respeito a Paulo, que ele era um devedor, pronto a pagar sua dívida a todos.

Lamentavelmente, vivemos em dias em que a maioria não se conscientizou de que é dever, para não dizer privilégio, de todos os crentes anunciarem o Evangelho.

Há, porem, aqueles que estão cientes desse fato; contudo, ainda que possam dizer: “ Sou devedor”, ainda não disseram: “Estou pronto”.

Mas há ainda um terceiro grupo que, embora pequeno, louvamos a Deus por ele. São os que, cientes da sua dívida, já se apresentaram como voluntários a Deus, dizendo: “Estou pronto” para anunciar o Evangelho.

Creio que muitos “apelos” já foram feitos a fim de que o número de voluntários aumente, mas... a seara continua grande e os ceifeiros continuam poucos.

Esperamos com oração que este artigo não venha apenas preencher uma coluna neste periódico, mas que possa despertar alguns, a fim de que o número de voluntários possa aumentar. Que muitos mais possam dizer: “Sou devedor... Estou pronto”.

Com este proposito, vejamos três motivos que deveriam fazer de nós verdadeiros “voluntários” para anunciar o Evangelho.

a. É Ordem do Senhor

Quando temos uma ordem clara do Senhor, não temos que contestar, temos que obedecer; e neste assunto de pregar o Evangelho, não precisamos ter nenhuma duvida quanto a vontade dEle.

Ele disse: ”Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Mar. 16:15). “E ser-me- eis testemunhas, tanto em Jerusalém com em toda a Judéia e Samaria, ate os confins da terra” (Atos 1:8).

O Exemplo

Creio que uma leitura atenciosa no livro de Atos nos mostra como os primeiros discípulos entenderam e cumpriram a ordem do Senhor.

Não se tratava de uma correria desesperada, e nem de uma estratégia humana com todos os detalhes planejados de antemão, mas cada um, desejando falar “daquilo que está cheio o coração” (e que seja de Cristo), aproveitando e criando oportunidades na direção e dependência do Espirito Santo, pregava a Palavra.

Este foi o método usado pelos primeiros discípulos, e funcionou, e é o único que funciona.

Dando ainda ênfase ao fato de que é o Senhor quem mandou anunciar o Evangelho, temos que perguntar:

Jesus Cristo é o seu Senhor? Você O chama de Senhor? Tem feito o que Ele manda? ”Porque me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Luc. 6:46).

Veja o exemplo de Isaías cap. 6:8: “Ouvi a voz do Senhor, que dizia: a quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui envia-me a mim”.

Que todos nós possamos dizer: Eis-me aqui, Senhor, estou pronto.

b. É Necessário para Salvação de Almas

Se a ordem do Senhor deveria ser suficiente para nos apresentar como voluntários para anunciar o Evangelho, quanto mais nossa prontidão deve aumentar quando contemplamos a necessidade dos homens.

Quando o Senhor disse: “pregai o Evangelho a toda criatura”, é porque todos dependem de ouvir o Evangelho para serem salvos.

Já pensou o que significa alguém morrer sem ser salvo? Consideremos aquele texto bem conhecido em Luc. 16:19-31. Veja os tormentos, sem nenhum alivio, e para sempre, que aquele homem esta padecendo. Creio que se alguma coisa pudesse ser feita para aquele homem, nos a faríamos, mas não podemos. Contudo ele tem cinco irmãos, na casa de seu pai, que podem e precisam ouvir para não ir àquele lugar de tormento.

Antes de aplicarmos isto, considere as palavras de Abraão, que são muito sugestivas: “Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos” (v. 29). Abraão estava dizendo: “Eles têm as Escrituras, a Palavra; ouçam-na”.

Agora, para que eles possam ouvir, tem que haver quem pregue. A lição obvia que podemos tirar deste texto é que muitos em redor de nós estão caminhando a um lugar de tormentos eternos, e nós temos o meio* de escape para eles.

Que o Senhor possa aumentar nossa compaixão pelas almas que estão perecendo, para que isto nos leve a pregar o Evangelho a toda criatura.

*Sabemos que a salvação vem do Senhor, e quando dizemos que nós temos o meio de escape para eles, estamos considerando apenas o lado humano, pois é a nós, Suas testemunhas, que Jesus Cristo confiou o Evangelho da salvação.

c. O Valor do Evangelho

Tendo considerado que é ordem do Senhor pregar o Evangelho, e que é necessário para a salvação de almas, consideremos um terceiro ponto que nos deve incentivar a pregar o Evangelho.

Se cada crente pudesse compreender o valor do Evangelho que Deus nos confiou, nós não iriamos perder tempo em falar de outras coisas com nossos semelhantes.

Já pensou porque Paulo nos disse: “Não me envergonho do Evangelho”? É porque ele conhecia seu inestimável valor e sua perfeita eficácia. Paulo disse: “Estou pronto... para anunciar o evangelho... porque não me envergonho do evangelho, poie é o poder de Deus para a salvação...” Ele não estava dizendo: “Eu não me envergonho de ser um crente”; claro que ele não se envergonhava disso, mas ele esta dizendo que não tinha vergonha de anunciar o Evangelho, pois ele conhecia o Evangelho que ele pregava.

O Evangelho é suficiente por si mesmo, não é necessário acrescentar esforços humanos para lhe dar algum poder maior. Só precisamos pregar o Evangelho.

Permita-me uma fraca ilustração: um vendedor, que sabe que o produto vendido por ele é eficaz naquilo para que foi feito, que é o melhor da praça e com um preço justo, não terá vergonha de oferecer aquele produto aos consumidores.

Assim também, digo com reverencia; o “produto” que nos foi confiado é o único da “praça” e é eficaz para a salvação de almas; por isso não temos porque nos envergonhar.

Este ponto pode não parecer importante para alguns, mas é justamente este um dos motivos que levou Paulo a gastar sua vida em favor do Evangelho. Ele esta como que dizendo: “Sou devedor, e estou pronto, porque não tenho do que me envergonhar, afinal, aquilo que é de mais valor para os homens, o Evangelho, é o que tenho de anunciar”.

Irmãos pensemos nisto. Quantos estão dando tudo de si por uma causa que eles consideram boas. Uma religião, uma obra filantrópica, defesa da ecologia, campanhas pró-crianças, etc. Reconhecemos que há algum valor em algumas destas coisas, mas é tudo passageiro. Porém nós temos o Evangelho, cujo valor excede a tudo e é para a eternidade.

Porque não dar tudo de nós pela causa do Evangelho?

O Evangelho que Pregamos

Para podermos ter uma avaliação melhor do Evangelho, consideremos, ao terminar, os primeiros dezessete versículos do capitulo um de Romanos.

a) Tem sua origem em Deus – “... o evangelho de Deus.” (v.1).

Não é a mensagem de homens, nem de alguma religião, mas de Deus. Deus tem nos dado o grande privilégio de sermos canais pelos quais Sua mensagem salvadora seja anunciada.

b) É fundamentada nas Escrituras – “O qual... havia prometido... nas santas escrituras.” (v.2).

Se tivéssemos que pregar uma religião com base na imaginação do homem, teríamos motivos para não querer, mas o Evangelho que temos que anunciar tem o seu fundamento na infalível Palavra de Deus.

c) Seu tema é Cristo – “... acerca de seu Filho...” (v.3-4).

Quanto poderia ser dito destes dois versículos, mas nos limitamos a dizer que, ao anunciar o puro Evangelho, estamos anunciando a Cristo. Existe nome mais sublime do qual possamos falar?

d) Seu alcance é: todos – “... todas as gentes...” (v.5); “... tanto os gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (v.14); “... todo aquele que crê; primeiro do judeu e também do grego” (v.16).

Algumas religiões ou filosofias só se encaixam em algum grupo de pessoas, mas o Evangelho que pregamos não conhece divisas, não se intimida com as diferenças sociais, não é racista, não tem denominação... é para todas as gentes.

e) É eficaz – “é o poder de Deus...” (v.16).

O ser humano é impotente, não pode salvar-se a si mesmo, e qualquer coisa criada pelo homem, com o objetivo de salvar-se, é ineficaz. O homem, para ser salvo, precisa do poder de Deus, precisa do Evangelho.

f) Preenche um requisito divino – “... nele [no Evangelho] se descobre a justiça de Deus...” (v.17).

O homem jamais pode ser justificado por sua própria justiça, pois ela é como trapo de imundícia (Is. 64:6). A justiça de Deus exige a condenação do pecado, e no Evangelho vemos nossos pecados condenados em Seu Filho, para que a justiça dEle pudesse ser atribuída a nós.

“Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nEle fossemos feitos justiça por Deus” ( II Cor. 5:21).

g) Seu resultado – “... salvação de todo aquele que crê...” (v.16).

Só por crer no Evangelho é que uma alma poderá ser salva. Só o Evangelho dá garantia de salvação aos que creêm.

Sendo o Evangelho de tão grande valor, o único meio de salvação aos perdidos, e tendo nós uma ordem do “Senhor de todos” para pregar o Evangelho, que doravante possamos dizer: “Estou pronto”.

L. M. Altoé