Início O Caminho Perguntando e Aprendendo
Perguntando e Aprendendo Imprimir E-mail

"O Caminho" nº15

Pergunta: O que é o batismo com o Espírito Santo e o falar em novas línguas?

Resposta: Lemos do batismo do Espírito Santo nas seguintes passagens da Bíblia: nos Evangelhos, onde ele é profetizado (Mat. 3:11; Mc. 1:8; Luc. 3:16; João 1:33); em Atos 1:5, onde é anunciado; Atos 11:16, onde é relembrado; e em I Cor. 12:13, onde é explicado. Em todas estas passagens, a preposição grega (en) quer dizer, realmente, “no”, não simplesmente “com o”, mostrando que o Espírito Santo é o meio no qual somos batizados.

Podemos definir o batismo no Espírito Santo como sendo o ato pelo qual Cristo formou a Igreja, que é Seu corpo, no dia de Pentecostes. Vejamos esta definição com mais detalhes.

a. O ato pelo qual Cristo formou a Igreja. Em I Cor. 12:13, Paulo associa-se com os cristãos em Corínto, afirmando que todos eles foram batizados em um Espírito. Independentemente do estado espiritual de cada um daqueles cristãos, ou de quando tinham sido salvos, todos eles haviam sido igualmente batizados (o verbo é passado). Isto indica que o batismo no Espírito é um ato definido e definitivo, e não uma experiência individual e repetitiva. Não é o mesmo que encher-nos do Espírito. Vemos as duas coisas em I Cor. 12: “Fomos batizados em um Espírito [nós nEle, a nossa posição] … temos bebido de um Espírito [Ele em nós, a nossa responsabilidade]”. O cristão, quando crê, torna-se participante daquele ato singular, quando Cristo formou Sua Igreja pelo batismo no Espírito Santo.

Compare a afirmação inspirada de Paulo: “Estou crucificado com Cristo” (Gál. 2:20). Cristo morreu antes de Paulo ser salvo, mas pela fé em Cristo, Paulo passava a participar das bênçãos e do vitupério da cruz. Pentecostes foi antes de Paulo, ou de qualquer dos coríntios, terem nascido de novo, mas pela fé em Cristo, todos eles passaram a participar dos benefícios daquele batismo.

Há um contraste, nas Escrituras sagradas, entre o batismo no Espírito e o batismo em fogo. Somente Mateus e Lucas mencionam este batismo em fogo, e só eles falam da pá que o Senhor tem na mão, e do fogo no qual Ele queimará a palha. Em Mat. 3:10-12 vemos o que é este batismo: se os três versículos falam de fogo, e se nos vs. 10 e 12, é claramente o fogo do inferno, o que pode ser o fogo do v. 11? Só pode ser a condenação do inferno; não uma experiência que devemos buscar, mas um ato definido, pelo qual Deus condenará os incrédulos. Assim também, o batismo no Espírito Santo não é uma ex­periência que devemos buscar, mas um ato definido, pelo qual Deus uniu Seu povo num só corpo.

b. O ato pelo qual Cristo formou a Igreja. Este foi o propósito do batismo no Espírito Santo, conforme lemos em I Cor. 12:13: “formando um corpo”. Para que a Igreja fosse um corpo, separada do mundo, unida em Cristo, Ele a batizou no Espírito Santo. Não é uma experiência pessoal, pela qual alcançamos mais poder ou virtude; é um ato que cumpriu o propósito de Deus.

c. No dia de Pentecostes. Olhe cuidadosamente para as referências bíblicas. Nos Evangelhos e em Atos 1:5 (isto é, antes de Pentecostes), o ba­tismo no Espírito Santo ainda era futuro (“sereis batizados”). Em I Cor. 12:13 (depois de Pentecostes), é passado (“fomos batizados”). Em Atos 11:16, vemos pessoas participando dos benefícios daque­le dia. Os sinais que se seguiram ao batismo no Espírito Santo manifestaram-se também ali em Ce­sa­réia. Mas o vento impetuoso, as línguas como que de fogo, estas são únicas, assim como o ba­tismo no Espírito, no dia de Pentecostes, foi um ato único.

A segunda parte da pergunta trata do dom de línguas, do qual há poucas referências no Novo Testamento: em Mc. 16:17, temos uma promessa; algumas referências em Atos mostram-nos o exemplo; e encontramos a explicação em I Cor. 14 (além destas, apenas algumas citações em I Cor. 12 e 13). Torna-se estranho, portanto, que alguns, hoje em dia, queiram dar tanta ênfase a este dom.

Vamos olhar para este assunto procurando responder a três perguntas.

a. O que é o dom de línguas?

Em primeiro lugar, não é a capacidade de falar línguas “estranhas”, isto é, desconhecidas à raça humana. A palavra “estranha”, em I Cor. 14, está em itálico nas versões que se utilizam deste recurso, mostrando ter sido acrescentada para tornar o sentido mais claro. As línguas faladas são “estranhas” para quem as fala, mas são idiomas conhecidos por outras raças. Isto fica bem claro em Atos cap. 2 (veja vs. 6, 8, 11). Alguns afirmam que Paulo falava “línguas de anjos”, mas o apóstolo não as falava (ele diz: “ainda que eu falasse…”; mas não falava, I Cor. 13:1).

Também não é, necessariamente, um sinal de santidade superior. Era um dentre muitos dons, até de menor importância que outros dons, como o dom de profecia, por exemplo. E a única igreja que recebeu ensino escrito sobre este dom era uma igreja carnal (I Cor. 3:1).

Em terceiro lugar, não é algo que está além do controle humano. O dom de línguas, que havia em Corinto, só devia ser usado para edificação (I Cor. 14:26), e aqueles que o tinham, podiam escolher se iriam ou não usá-lo (vs.27-28)!

Como tudo isto é diferente do que vemos no mundo religiosos hoje em dia. O dom de línguas que o Novo Testamento apresenta não era um atestado de santidade, não era algo incontrolável, e não era a capacidade de falar uma língua desconhecida na terra. Pelo contrário, era a capacidade, dada pelo Espírito Santo, de falar em outros idiomas.

b. Por que havia este dom?

Comparando I Cor. 14:21-22 com Isa. 28:11, vemos que o dom de línguas eram um sinal de Deus para a nação judaica incrédula, um sinal da iminente destruição de Jerusalém. Tanto é que, em Atos 2, quando judeus incrédulos estavam presentes, não havia necessidade de intérprete, pois todos eles entendiam; na igreja, porém, na presença de cristãos, era necessário um interprete.

As línguas não são para os salvos — eram um sinal para a nação rebelde de Israel. E em vista do fato de que o juízo já veio (no ano 70. A.D.), para que ter línguas hoje?

c. O dom de línguas existe hoje?

Olhando para o Novo Testamento como um todo, fica claro que o dom de línguas não existe hoje em dia. Apresentamos, abaixo, três provas desta afirmação, além do que já foi mencionado no último parágrafo.

I Cor. 13:8-13 — As línguas cessariam quando viesse o que é perfeito. O contexto fala de conhecimento e sabedoria imperfeita, um contraste claro com o conhecimento e a sabedoria perfeita da Bíblia. Quando o último livro da Bíblia foi escrito, ainda no primeiro século da Igreja, línguas e profecias já haviam cessado.

Mc. 16:17-20 — Os vs. 17 e 18 prometem sinais (inclusive línguas) que acompanhariam os que cressem. Mas veja o v. 20: Deus confirmou a palavra “com os sinais que se seguiram” (o verbo está no passado). Os sinais seguiram aqueles primeiros cristãos, mas quando Marcos escreveu seu evangelho, isto já era coisa do passado.

Heb 2:3-4 — Um trecho semelhante ao de Marcos 16. Aqueles que ouviram a pregação do Senhor Jesus (os apóstolos) confirmaram a palavra, e Deus testificou com eles (a Bíblia não diz, “conosco”) por sinais, línguas, etc.

O dom de línguas, um sinal específico para os judeus incrédulos, que permitia ao servo de Deus falar em idiomas que ele desconhecia, não existe mais em nossos dias.

As perguntas desta seção são respondidas por um grupo de irmãos, num estudo de mesa-redonda.