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"O Caminho" nº17

Pergunta: Qual é a verdadeira aplicação de Mat. 19:8-12, principalmente o v. 9?

A questão do divórcio é apresentada claramente na Bíblia. Duas vezes no trecho que estamos considerando o Senhor volta “ao princípio” (v. 4 e 8), mostrando que Deus estabeleceu algo que ainda permanece. Deus disse que o homem e sua esposa tornam-se uma só carne (v. 5). E o Senhor Jesus afirma que o homem não pode separar aquilo que Deus ajuntou (v. 6).

Toda a Bíblia concorda com esta verdade clara; veja Mar. 10:6-12, Luc. 16:18, Rom. 7:1-3, I Cor. 7:10-11. No princípio Deus mostrou Seu propósito: o casamento é indissolúvel.

Mas como explicar esta aparente exceção de Mat. 19:9?

Será mais fácil se lembrarmos de duas coisas. Primeiro, que o Senhor responde aqui a duas perguntas. Perguntaram: “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (v. 3). Ele respondeu: “O que Deus ajuntou, não separe o homem” (v. 6). Depois perguntaram: “Então por que mandou Moisés dar carta de divórcio?” (v. 7). É a esta pergunta que Ele responde nos vs. 8-9.

Em segundo lugar, é importante notar que a Lei nunca mandou repudiar, apenas permitiu. Leia Deut. 24:1-4; ali temos a regulamentação daquilo que o povo estava fazendo. Estavam largando suas esposas por motivos banais, e o Senhor então interveio, estabelecendo leis que protegiam as esposas. Note que perguntaram: “Por que mandou Moisés…” (v. 7); o Senhor respondeu: “Moisés … permitiu” (v. 8).

A melhor forma de entender este versículo, sem ferir o restante da Palavra de Deus, é lembrando do costume dos judeus quanto ao desposamento. Mateus, o único que menciona esta questão apresentada no v. 9, também fala do desposamento (veja 1:18-20). José era marido de Maria, mas eles estavam apenas desposados; não haviam se ajuntado. Seria semelhante ao nosso noivado, porém um compromisso bem mais sério. O Senhor estaria dizendo, portanto, que um desposamento poderia ser rompido em caso de “prostituição”, mas não um casamento já consumado (como ensina o restante da Bíblia).

Várias coisas confirmam esta interpretação. Primeiro, o fato de que Ele usa a palavra “prostituição” . Se fosse em um relacionamento consumado, “adultério” seria a palavra mais indicada. Além disto, os discípulos entenderam que seria melhor, então, não casar. Se o casamento é indissolúvel (pensavam eles), então “não convém casar”. Em terceiro lugar, I Cor. 7:10-11 dá-nos o ensino do próprio Senhor sobre este assunto. O cristão deve permanecer com seu cônjuge até que a morte os separe. Se, porém, separar-se, então que permaneça sozinho; não lhe é permitido casar novamente.

Mat. 19:9 deve ser analizado à luz do ensino de toda a Bíblia, que mostra que o plano de Deus é que o casamento seja indissolúvel nesta vida, sem excessões. O que Deus ajuntou, não o separe o homem.