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"O Caminho" nº20

O que contribuir

Neste segundo estudo, aprenda sobre o que podemos contribuir, ilustrado pela vida de Áquila e Priscila.

Tudo é do Senhor

“Não sabeis … que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço” (I Cor. 6:19-20).

É fundamental entender que não é apenas dinheiro que deve ser dado ao Senhor. O preço pago por nós no Calvário deu ao Senhor pleno direito de possessão sobre nós. Sendo um cristão, tudo que você tem pertence ao Senhor. Nada é exclusivamente seu, portanto seus recursos não podem estar em compartimentos diferentes, um para aquilo que é seu e outro para aquilo que é dEle. Entender isto ampliará muito suas ideias sobre contribuir.

Vamos ver, agora, como alguns cristãos contribuíram para a obra do Senhor.

Em II Cor. 8:5 você encontrará uma frase importante acerca daqueles que deram seu dinheiro com a finalidade de suprir a necessidade dos cristãos necessitados da Judéia: “A si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus”. Dar-se a si mesmo é o primeiro passo. Entregue-se, e então seus valores se ajustarão aos valores do céu, permitindo que você veja claramente como suas possessões devem ser usadas.

Um bom exemplo do que pode ser dado ao Senhor é encontrado na vida de Áquila e Priscila. Este casal piedoso era ativo no serviço do Senhor Jesus quando Paulo pregava o Evangelho. Veja o que as Escrituras dizem sobre este casal.

Deram seu lar

“Paulo … passou a morar com eles” (Atos 18:2-3, ARA)

Áquila era um judeu que, em companhia de sua esposa Priscila, foi obrigado a deixar Roma quando o imperador Cláudio ordenou que todos os judeus retirassem-se da cidade. Passaram a habitar em Corinto, e quando Paulo chegou ali para pregar o Evangelho, abriram as portas da sua casa para ele. Este casal piedoso poderia ter argumentado que sua vida familiar já havia sido bastante tumultuada ultimamente, sem o transtorno adicional de acolher um forasteiro. Mas seu desejo de servir ao Senhor era tal que estavam prontos a oferecer hospitalidade ao apóstolo. Como Paulo, eles faziam tendas, e isto proporcionava-lhes algo em comum, mas era o Evangelho que realmente os unia.

Em Rom. 16:5 encontramos Áquila e Priscila novamente, agora de volta a Roma. Paulo lhes saúda, assim como a igreja que estava na casa deles. Aonde quer que estavam, eles ofereciam hospitalidade aos cristãos. Na verdade, em I Cor. 16:19 eles estão em Éfeso, e continuam abrindo seu lar para os cristãos. De Áquila e Priscila podemos dizer em verdade que deram seu lar ao Senhor, não importa aonde moravam. E nisto não estavam sozinhos. A igreja em Colossos desfrutava de hospitalidade na casa de Filemon (Filem. 2). O evangelista Filipe preparou acomodação para Paulo em sua viagem para Jerusalém (Atos 21:8).

É bom para um jovem casal decidir que serão conhecidos como pessoas dispostas a hospedar outros cristãos. O proveito que receberão da comunhão em seu lar será muito superior ao custo desta obra. Não pense que ser hospitaleiro é providenciar a refeição mais suntuosa ou cara possível. Um alimento simples será suficiente, e será bem apreciado pelos hóspedes. Muitos cristãos sós, cansados e preocupados, foram ajudados por hospitalidade simples nas casas daqueles que estavam prontos a usar o pouco que tinham para servir ao Senhor. Muitos cristãos novos, sem um lar cristão, têm passado horas alegres nas casas daqueles que se preocupam com o seu bem-estar espiritual.

Se você dá ao Senhor desta forma, você verá que sua vida irá enriquecer grandemente. Conversas ao redor da mesa, homens e mulheres piedosos que marcarão sua vida, e a gratidão daqueles que você ajudou, tudo isto dará um brilho especial à sua vida e seu serviço. Isto é parte do seu serviço na igreja local.

As pressões da sociedade moderna fizeram com que este serviço tenha sido negligenciado nos últimos anos. Alguns cristãos acham que têm tão pouco tempo em casa, e querem preservar estas horas preciosas com sua família, livres da intromissão de outros. Mesmo no domingo, o trabalho necessário para receber hóspedes, e o esforço que é necessário para tornar sua visita agradável e proveitosa, é encarado com desânimo, e evitado. Pode ser que tudo que você deseja em seu lar é paz e tranquilidade, mas será que isto é usar para o Senhor aquilo que Ele deu a você?

A exortação de Heb. 13:2 é um incentivo: “Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos”. Hospitalidade para com aqueles que você conhece é louvável, mas não pare aí. Receba outros cristãos que visitarem sua região, mesmo que forem desconhecidos. Você não sabe quem você poderá hospedar. Alguns acolheram anjos! Provavelmente você não fará isto, mas os resultados deste serviço podem ultrapassar em muito suas expectativas.

Deram seu tempo

“…o levaram consigo, e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus” (Atos 18:26).

Já temos reparado que a vida familiar de Áquila e Priscila em Roma foi interrompida pelo decreto do Imperador. Em seguida, parece que mudaram de casa várias vezes. Apesar disto, eles estavam prontos a oferecer seu tempo para o serviço do Mestre. Quando Apólo veio a Éfeso, onde Áquila e Priscila então moravam, ficou claro que, apesar de ser “fervoroso de espírito” e “poderoso nas Escrituras”, ele precisava de mais instrução. Áquila e Priscila deram do seu tempo para efetuar esta tarefa. Isto significaria não só abrir o seu lar para ele, mas passar longas horas em torno das Escrituras, debatendo as questões levantadas e instruindo este grande homem. Eles poderiam argumentar que provavelmente nunca mais iriam ver Apólo, e que eles pessoalmente seriam muito pouco beneficiados por Apólo no futuro. Mas eles não encararam esta responsabilidade desta forma. Havia uma obra a ser feita para o Mestre, e eles tinham capacidade para fazê-la, portanto deram-se a si mesmos, e o seu tempo, para esta obra.

Vivemos num mundo ocupado, e tão pouco do nosso tempo parece estar disponível para a obra do Senhor. Pressões do emprego, e tantas coisas que se intrometem nas nossas vidas, parecem preencher todo o “tempo livre” que possuímos, deixando muito pouco para o estudo das Escrituras e para a obra do Senhor. É uma prática saudável resolver usar seu tempo sabiamente, dando-o a Ele. Há reuniões regulares da igreja local que não podem ser negligenciadas. Isto, porém, não esgota suas responsabilidades. Em qualquer localidade há aqueles que estão doentes e precisam ser visitados. Há aqueles que encontram-se aflitos e perturbados e que, consequentemente, precisam de apoio; há aqueles que estão sentindo-se sós, e precisam ser encorajados. Se você olhar em volta, verá que há muitas formas de usar seu tempo com proveito, mas primeiro você deve decidir dá-lo a Ele.

Se você só pensar em você mesmo, haverá muito para preencher seus dias e ocupar suas horas. Não há falta de atividades que são legítimas, e que não são pecado. A pergunta que você deve fazer, porém, é: qual o proveito para a obra do Senhor nestas coisas? Tempo para relaxar e descansar é necessário, mas você não pode usar todo o seu tempo livre para estas coisas e ainda achar que deu ao Senhor Jesus tudo que poderia ter dado.

Isto, é claro, não lhe dá uma desculpa para negligenciar responsabilidades e deveres na sua própria casa. O servo diligente do Senhor irá se preocupar em fazer o que precisa ser feito, mas tendo executado todas as tarefas necessárias, o tempo disponível será dado ao Senhor.

Deram suas cabeças

“Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças” (Rom. 16:4).

Priscila e Áquila não mediram esforços no seu desejo de promover a expansão do Evangelho. Todas as igrejas dos gentios deviam-lhes a sua gratidão por seu serviço abnegado. Estavam unidos nisto. Ele “expuseram as suas cabeças”. Eles decidiram perante o Senhor que seu lar, seu tempo, suas possessões, e até suas cabeças seriam entregues a Ele. Não há nada de devoção parcial aqui! Estavam unidos no seu desejo de dar tudo, e estavam preparados para ir até ao ponto de dar a própria vida no serviço do Mestre. Eis o exemplo supremo de contribuição! Eram tão devotados que estavam prontos a sofrer o martírio para promover a obra do Senhor.

J. Grant (continuará)